Manus: novo agente de IA pode mudar o futuro das viagens? Especialistas divergem
Criado pela startup chinesa Butterly Effect, sistema foi projetado para sugerir roteiros
Após o boom em torno da DeepSeek, empresa chinesa de inteligência artificial, o Manus, um novo agente autônomo de IA, se tornou a nova aposta tecnológica do momento. Isso porque a ferramenta é vista por alguns especialistas como sendo capaz de impactar o setor de viagens ao ir além dos tradicionais chatbots e assistentes virtuais.
Criado pela startup chinesa Butterly Effect, o sistema foi projetado para sugerir roteiros. Mas, qual a novidade nisso? O agente também executa tarefas na internet, como pesquisar e organizar informações detalhadas para viajantes. Ou seja, além de pesquisar, Manus promete resolver as demandas para organizar a sua viagem.
Diferente de ferramentas como o ChatGPT ou o Claude, que apenas geram textos e respostas dentro de um ambiente fechado, o Manus consegue navegar por diversos sites de turismo, como Tripadvisor, Cityunscripted e Japan-Guide, para montar roteiros personalizados.
Em uma demonstração recente, a IA foi capaz de planejar uma viagem completa de sete dias entre Seattle e Japão, incluindo mapas, descrições de atrações, frases essenciais em japonês e dicas de viagem.
Em entrevista ao Travel Tech Hub, o neurocientista e futurista Álvaro Machado Dias explicou que, em uma ferramenta como essa, o planejamento de viagens se torna diferente — qualitativamente, e não simplesmente quantitativamente melhor —, pois é possível solicitar ao agente que selecione hotéis, colete os links e os envie por e-mail para o consumidor.
Além disso, é possível pedir para ele fazer cotações de passagens aéreas diretamente nos sites dos agregadores ou das companhias aéreas, por exemplo.
“Você pode pedir qualquer tipo de especificação na sua demanda para o agente de IA e, consequentemente, terá, na prática, uma personalização das suas recomendações. Você pode dizer: ‘Quero que encontre para mim as melhores ofertas de hotéis para um final de semana em Ilhabela, que aceitem cachorros e custem menos de R$ 1.500 para um casal’. O sistema buscará no Booking ou em outras plataformas para encontrar essas opções de hotel e enviará tudo para o consumidor”, disse Dias.
“Não é só um chatbot”
De acordo com Yichao Ji, cofundador e cientista-chefe da empresa, o Manus representa “a próxima evolução em IA”.
“Este não é apenas mais um chatbot ou fluxo de trabalho. É um agente verdadeiramente autônomo que preenche a lacuna entre a concepção e a execução. Enquanto outras IAs param na geração de ideias, o Manus entrega resultados”, afirmou Ji em um vídeo no site do Manus.
O impacto de agentes autônomos na indústria de turismo foi destacado por Mario Gavira, vice-presidente de crescimento e marca da Kiwi.co. Para ele, a transformação desse setor “pode estar mais perto do que imaginamos”. No entanto, ele levanta dúvidas sobre a capacidade da ferramenta de contornar restrições de sites e realizar reservas diretamente para os clientes.
“É possível fazer uma customização, ainda que não tenha o mesmo nível de personalização oferecido por um agente de viagens. A ferramenta não substitui um agente de viagens de verdade.Definitivamente, não é algo que chegue ao nível de sofisticação e granularidade de uma pessoa. Está bem longe disso”, ressalta o neurocientista Álvaro Dias.
Concorrência e desafios
O lançamento do Manus ganhou notoriedade nas últimas semanas, especialmente após um artigo da Forbes descrevê-lo como “o primeiro agente totalmente autônomo do mundo”, enfatizando sua capacidade de realizar tarefas de forma independente. Por outro lado, a TechCrunch foi mais crítica, apontando limitações da tecnologia.
A chegada do Manus também acontece em meio à crescente disputa entre gigantes da tecnologia para avançar em modelos de IA cada vez mais potentes. A revelação do agente coincidiu com o lançamento do mais recente modelo de inteligência artificial do Alibaba, que a empresa afirma ser mais avançado que as soluções da OpenAI.
Já a OpenAI, por sua vez, lançou recentemente o Operator, um assistente com a capacidade de pesquisar e concluir transações. O modelo chamou atenção por incluir grandes empresas do setor de viagens, como Booking.com, Hipcamp, Priceline, Tripadvisor e Uber, entre suas parceiras.