Frenesi de fusões e aquisições no setor de tecnologia de viagens: o impacto do capital privado
Setor de travel tech registrou cerca de 180 transações no ano passado, respondendo por um terço de todas as fusões e aquisições no campo da tecnologia
O ano de 2025 promete consolidar ainda mais o mercado de tecnologia no setor de viagens, com bilhões de dólares sendo investidos por empresas de private equity (PE) em aquisições de startups. O cenário é de expansão, e especialistas apontam que 2025 será ainda mais agitado, com grandes empresas comprando players menores para remodelar a infraestrutura de tecnologia do setor.
A TravelPerk, startup de tecnologia voltada para viagens corporativas, começou o ano com força total, levantando US$ 200 milhões e anunciando a compra de outra empresa, marcando uma das diversas aquisições que têm se intensificado no setor de tecnologia de viagens.
Essas aquisições, lideradas por empresas de private equity, estão transformando o mercado, conforme relatado em reportagem da Skift. Com US$ 3 trilhões em recursos, sendo US$ 300 bilhões destinados à tecnologia, essas empresas estão impulsionando grandes rodadas de investimentos e aquisições de startups em estágio avançado.
Com isso, as startups estão aproveitando os novos recursos para expandir seus negócios organicamente e por meio de fusões e aquisições.
De acordo com o banco de investimentos AGC Partners, o setor de tecnologia de viagens registrou cerca de 180 transações no ano passado, respondendo por um terço de todas as fusões e aquisições no campo da tecnologia.
Aumento das aquisições em 2025
A busca por modernização de sistemas de tecnologia para acompanhar o crescimento sem precedentes das viagens tem gerado grande movimentação. Em 2025, espera-se um aumento nas aquisições, com startups bem financiadas comprando players menores para fortalecer sua presença no mercado.
A consolidação no mercado de tecnologia de viagens
As fusões e aquisições (M&A) no mercado de tecnologia de viagens estão sendo impulsionadas por empresas que buscam aumentar sua base de clientes, expandir seu alcance geográfico, melhorar suas tecnologias ou adquirir novos talentos. Empresas menores, com faturamento entre US$ 5 milhões e US$ 50 milhões em receita recorrente anual, são frequentemente os alvos dessas aquisições.
Muitos desses vendedores, segundo reportagem da Skift, são startups que enfrentam dificuldades para atrair novos investimentos ou empresas familiares com fundadores próximos da aposentadoria, como agências de viagens corporativas ou empresas de tecnologia hoteleira antigas.
O Juniper Group, por exemplo, planeja comprar até uma dúzia de empresas de tecnologia de viagens em 2025, segundo Jaime Sastre, CEO da empresa. Sastre acredita que este é o momento certo para os donos dessas empresas se aposentarem, vendendo seus negócios para aproveitar a recuperação do mercado pós-pandemia. “Agora é um bom momento para vender, pois o mercado está crescendo novamente e as empresas estão mais lucrativas”, disse Sastre.
O papel do private equity
O investimento em empresas de tecnologia de viagens por parte de private equity, historicamente um setor de menor interesse, vem se intensificando, sinalizando amadurecimento do mercado. Laurence Tosi, da WestCap, comentou sobre o interesse renovado de private equity em viagens: “Isso é sinal de maturidade dentro do mercado. Private equity não tem se interessado muito por viagens nos últimos tempos, mas agora está entrando com força”.
Com o aumento de aquisições e a recuperação pós-pandemia, grandes corporações do setor de viagens, como Amadeus e Descolar, também estão movimentando o mercado. A Decolar, por exemplo, foi adquirida pela Prosus por US$ 1,7 bilhão.
A pressão para adotar novas tecnologias, como inteligência artificial, está levando muitos a buscar alianças estratégicas por meio de aquisições.
Desafios regulatórios
Apesar do crescente movimento de fusões e aquisições, a regulamentação continua sendo um obstáculo. A Comissão Europeia, por exemplo, vetou a compra da eTraveli Group pela Booking Holdings, e é incerto se a American Express GBT conseguirá adquirir a CWT devido à análise regulatória. Isso gera uma cautela adicional entre os grandes players do mercado.
Embora o cenário de fusões e aquisições esteja em expansão, o processo não é isento de desafios. A integração de diferentes culturas empresariais, produtos e geografias pode ser difícil e arriscada, como apontaram CEOs de empresas como Flyr e Mews. Para muitos, o modelo de adquirir empresas menores pode ser a melhor estratégia para avançar rapidamente no mercado, especialmente no contexto da crescente demanda por inovação tecnológica.